Com a recente atualização do ChatGPT para gerar imagens, uma nova febre invadiu as redes sociais: a tendência de recriar fotos no estilo característico dos estúdios japoneses. Confira todos os detalhes!
A tendência dos prompts inspirados no Studio Ghibli tomou conta de redes sociais como o X (antigo Twitter) nos últimos dias. O interesse explodiu após a atualização massiva do ChatGPT com o modelo de geração de imagens GPT-4o, lançada em 25 de março. Desde então, inúmeros usuários têm se divertido recriando fotos pessoais, momentos históricos e até memes no icônico estilo das animações do estúdio japonês, conhecido por obras como A Viagem de Chihiro (2001) e A Princesa Mononoke (1997).
O sucesso foi tão grande que o chatbot enfrentou dificuldades para lidar com a alta demanda. Segundo Sam Altman, CEO da OpenAI, a procura ultrapassou as expectativas, forçando a empresa a limitar temporariamente a geração de imagens. A seguir, confira mais detalhes sobre a tendência e ideias de prompts para experimentar.
O que é a trend do Studio Ghibli?
Essa tendência consiste em recriar fotos usando o ChatGPT, que recentemente ganhou um modelo de geração de imagens mais avançado, aplicando o estilo artístico do icônico estúdio japonês. As imagens geradas, que viralizaram na internet, retratam desde momentos pessoais dos usuários até memes, personalidades famosas, eventos históricos, esportes e muito mais. Para criar sua própria imagem com IA, basta acessar a plataforma, fazer login, adicionar a foto desejada e enviar o prompt.
O Studio Ghibli possui um traço único, mesmo dentro do universo dos animes: linhas delicadas, cores suaves e tons pastéis são marcas registradas de seu estilo. O estúdio é responsável por clássicos como A Viagem de Chihiro, A Princesa Mononoke, Meu Amigo Totoro (1988), Túmulo dos Vagalumes (1986) e o mais recente O Menino e a Garça (2023), vencedor do Oscar de Melhor Animação. Fundado em 1985 pelo diretor Hayao Miyazaki, o Ghibli se tornou sinônimo de animações poéticas e visualmente marcantes.
Prompt para criar imagens no estilo Studio Ghibli
Para gerar uma imagem com esse estilo no ChatGPT a partir de uma foto específica, acesse sua conta, clique no botão “+” e envie o arquivo com a foto que deseja usar. A partir daí, você pode experimentar os seguintes prompts:
(Com imagem): a partir dessa foto, crie uma arte digital com as características das animações do Studio Ghibli. Leve em conta os detalhes de modelos, ambientes e cenários. Tente fazer algo original, mas que seja bem próximo aos filmes do estúdio.
(Sem imagem): gere uma imagem da seguinte forma: [descreva o que você quer criar]. Faça isso utilizando como referência o estilo de animação do Studio Ghibli. É importante que seja original, mas que use os filmes do estúdio como base.
Polêmicas envolvendo IA e o Studio Ghibli
Em 2016, a Japan Broadcasting Corporation (NHK) lançou um documentário sobre Hayao Miyazaki, e um vídeo em que o diretor comentava sobre tecnologia na arte e inteligência artificial viralizou na internet. Em uma das cenas, Miyazaki assiste a uma demonstração de uma tecnologia de IA capaz de simular movimentos, apresentada como uma forma de criar animações mais realistas, como as de zumbis.
A resposta do diretor foi contundente:
“Todas as manhãs eu costumava ver um amigo que é deficiente. Ele vinha até mim. Uma das pernas dele é virada para fora, então é difícil para ele andar. Até um ‘high-five’ é difícil para ele. (…) Eu penso nele e não posso dizer que gosto disso. Quem quer que tenha feito isso não pensa na dor. (…) Se você quer realmente fazer coisas assustadoras (como zumbis), pode ir em frente. Eu nunca desejaria incorporar essa tecnologia ao meu trabalho. Sinto que isso é um insulto à própria vida.”
Esse episódio exemplifica como a relação entre artistas e inteligência artificial tem sido marcada por polêmicas. Mesmo em 2023, quando as ferramentas de IA ainda eram menos avançadas, já havia debates sobre seu uso na arte. Um caso que ganhou repercussão nos Estados Unidos foi o do universitário Jason Allen, que venceu um concurso de fotografia com uma imagem criada no Midjourney, recebendo um prêmio de US$ 300 (cerca de R$ 1,5 mil na cotação da época). A obra, que desbancou 20 concorrentes, enganou os jurados, que não perceberam que se tratava de uma criação por IA. O trabalho foi acusado de “plágio automatizado”, mas Allen defendeu-se dizendo que a IA “é uma ferramenta, assim como o pincel; sem a pessoa, não há força criativa”.
Essas discussões levantam questionamentos sobre o impacto da IA no futuro da arte e sobre o risco de que robôs acabem ocupando o espaço dos artistas. No caso do Studio Ghibli, o uso de IA para gerar imagens no estilo do estúdio também pode esbarrar em questões de direitos autorais sobre as obras originais.









